[LIVRO] O Prazer de Pensar, escrito por Theodore Dalrymple

Quem é Theodore Dalrymple?

Theodore Dalrymple, amado por uns e odiado por outros, é um escritor e médico psiquiatra britânico que já viajou por vários países do mundo e escreve sobre cultura, arte, literatura, política, educação e medicina. Theodore é um pseudônimo, o nome verdadeiro do autor é Anthony Daniels. Recentemente, ele passou pelo Brasil e deu uma entrevista para a TVeja.

O autor, que é considerado um conservador (bastante de direita), já escreveu para veículos de comunicação como The Times, The Salisbury Review,  The Daily Telegraph, The Observer e The Spectator. Entre os seus livros mais famosos temos: “Não com um estrondo, mas como um gemido“, “A nova síndrome de Vicky” e “Nossa cultura ou o que restou dela”.

Em uma resenha sobre o livro “A Nova Síndrome de Vichy” de Theodore Dalrymple, o escritor Rodrigo Constantino escreveu que considera “Theodore Dalrymple um dos mais importantes pensadores da atualidade, e ele tem tido uma grande influência em meu próprio pensamento. O médico britânico sempre traz análises interessantes e boas reflexões, com incrível objetividade e perspicácia”.

Sobre o livro “O Prazer de Pensar”

O livro “O Prazer de Pensar” foi o primeiro livro que eu li do autor e consiste em uma coletânea de ensaios que Dalrymple escreveu sobre livros que ele já leu. A partir da leitura dos livros, ele comenta sobre política, relacionamentos, economia e religião. É um autor que apresenta críticas irreverentes em relação a cada um dos temas que aborda, é abertamente conservador, é  crítico em relação a si mesmo, escreve de forma clara e esconde frases ácidas, porém bem humoradas nas suas páginas.

Destaco cinco comentários de Dalrymple através dos quais alguém interessado em sua obra pode vislumbrar o seu estilo como autor.

  1. “Se a fé poética requer a suspensão voluntária da descrença, viver de  forma civilizada requer o desrespeito voluntário do desacordo. “Enquanto for somente uma simples intenção”, disse o grande juiz do século XVIII Lorde Mansfield, “não é passível de punição pela lei”. Enquanto o homem não põe seus vis pensamentos em prática, ele não deve ser excluído da nossa compaixão (…)”.
  2. “(…) Mas a destruição de livros em massa por autoridades públicas nunca foi um bom sinal para a civilização, sem falar para a liberdade”.
  3. “Isso faz surgir a ideia herética – herética para qualquer um propenso a acreditar que o mercado é uma solução para todos os problemas humanos – segundo a qual uma variedade infinitamente ampla de produtos não é o mais importante na formação da alma humana.”
  4. “Vivemos numa época que valoriza a diversidade e impõe a uniformidade.”
  5. “O pedante não se deleita em encontrar erros porque é um amante da verdade; ele tem prazer em encontrar o erro para provar a sua superioridade em relação àquele que o fez. O amor do poder tem, portanto, mais coisas em comuns com o pedantismo do que o amor pela verdade, o pedante é uma aspirante a ditador que não ousa deixar a sua biblioteca.”

Compartilho com Theodore Dalrymple a suspeita em relação à revoluções, heróis salvadores da pátria e populistas, mas não consigo ser tão cética em relação a civilização ocidental quanto ele. O otimismo da juventude ainda me leva a conseguir preservar a ilusão que o declínio civilizacional não está acontecendo e que o futuro pode ser promissor. Além disso, eu gostei muito da forma honesta como ele escreve sobre si mesmo e sobre tudo o que viu nas suas viagens pelo mundo, mesmo que eu não concorde com todas as suas opiniões.

No Brasil, vive-se uma descoberta das ideias de direita, tanto aquelas baseadas no liberalismo econômico quanto no pensamento conservador, contudo, eu tenho a sensação – com base no meu feed de notícias do Facebook – que essa descoberta não é acompanhada por um embasamento na literatura que fundamenta o pensamento conservador ou o liberalismo econômico. Por isso, eu considero importante divulgar autores como o Theodore Dalrymple que discutem a complexidade do pensamentos conservador, ou seja, eu considero que a direita burra é tão idiota quanto a extrema esquerda, logo, leia mais Dalrymple, Edmund Burke e Tocqueville.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s