[LIVRO] Diário da Queda, escrito por Michel Laub.

Eu caminho pelas estantes da livraria em busca de livros escritos por grandes nomes da literatura judaica. Arendt, Roth, Amos, e Zweig, logo saltam aos olhos. Tenho um certo fascínio por esses escritores judeus que colocam no papel suas dúvidas e angústias sobre o universo judaico no qual estão inseridos.

Alguns desses escritores não são religiosos, mas mesmo assim o meu fascínio permanece. O judaísmo descrito nas páginas dos livros deles é distante da observância religiosa tradicional, os únicos momentos que tal tradicionalismo aparece é quando o mesmo vai ser reverenciado, criticado e ridicularizado. Contudo, é possível notar a presença de um judaísmo marcado por um caráter étnico, pelo conhecimento, pela não ortodoxia das interpretações e que se encontra afundado em história, bem como num sentimento de inadequação em relação ao universo secular não judaico que o cerca.

É óbvio que me fascina. O judaísmo das páginas de “Escritos Judaicos” de Arendt possui bases muito distintas e distantes da minha. Eu posso compreender muito a respeito do que está escrito naquelas folhas, mas eu não posso olhar para as coisas através das mesmas lentes que ela ou sequer de lentes parecidas.

Ao folhear as páginas do “Complexo de Portnoy”, escrito por Philip Roth, eu me perguntava como seria um livro desses escrito por um autor judeu e brasileiro. O que ele teria a dizer sobre sua experiência na comunidade judaica brasileira? Seria ele (ou ela) oriundo de um meio ortodoxo ou reformista? O que esse autor escreveria sobre sua experiência enquanto jovem judeu?

Eu encontrei o autor Michel Laub. Ele nasceu em Porto Alegrem, é jornalista, escreve para vários veículos de comunicação e já escreveu vários livros. “Diário da Queda” é o seu primeiro livro sobre a temática judaica e é inteiramente escrito na primeira pessoa do singular. O fato de ele ser um escritor tão bom e escrever esse livro na primeira pessoa do singular faz com que o leitor se pergunte, “será que não é uma autobiografia?”.

636224566880479989_afterlight_edit

Ao ler “Diário da Queda”, o leitor caminha pelas memórias que o personagem possui do avô (sobrevivente do Holocausto), do pai e do colega de sala com o qual compartilhou uma experiência marcante. As memórias dessas três figuras deixaram feridas que moldaram as mágoas, ideias e opiniões do narrador. Não é um texto óbvio, no qual vilões e mocinhos já estão com seus lugares reservados no palco. Não é uma prosa boba ou simplista, existem ironias escondidas em cada esquina.

Eu gostaria muito que os adolescentes judeus buscassem um livro assim para ler, contudo não acho que este seja um material que possui uma linguagem ou uma apresentação acessível e interessante ao público adolescente. “Diário da Queda”, escrito por Michel Laub, é livro que vou guardar com carinho entre os meus livros de temática judaica não religiosa.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s