Por que ir à sinagoga no Shabbat?

Eu me pergunto – todas as manhãs de sexta-feira quando saio para comprar as challot, um pote de doce de leite e o suco de uva casher na loja local do Chabad – por que ir à sinagoga no shabbat?

Não é fácil. Depois de uma semana inteira estudando, pesquisando, escrevendo e debatendo sobre política internacional na faculdade, eu poderia aproveitar uma manhã dormindo até tarde ou mais um dia de folga para ir ao cinema. Além disso, não existem muitas opções de sinagogas aqui em Belém. Diferentemente de Nova York, cidade que me oferecia dezenas de opções de minyanim para ir.

Apesar disso, eu escolho ir. Eu valorizo bastante a oportunidade de poder rezar num ambiente no qual as palavras em hebraico ecoam livremente e de forma viva pelo ar, no qual eu possa conversar comigo mesma sobre a minha identidade judaica e no qual eu possa ler belíssimos versos para mim mesma e para HaShem.

Ainda um pouco ofegante, eu me sento na cadeira e observo as formas dos arcos que compõem a estrutura do prédio da Shaar Hashamayim. As imagens das montanhas de Bariloche e daquele céu azul surgem na minha mente. Eu me emociono ao lembrar da primeira vez que vi aquela paisagem.

Ir à sinagoga – na diáspora – não é apenas uma experiência espiritual na qual você navega pelos seus sentimentos, memórias e emoções até conseguir elevar o seu lado mais irracional de forma a se permitir libertar suas emoções para algo atemporal e indefinível como HaShem. Vive-se também uma experiência social.

A experiência oferecida pela sinagoga é uma oportunidade de estar em um ambiente no qual você pode conviver com amigos, conhecidos e familiares com os quais você compartilha a história, tradição e vivência da identidade judaica coletiva. Eu considero essa parte como um benefício adicional à experiência espiritual, pois existem poucas experiências que te oferecem um sentimento de segurança e felicidade maior do que a experiência de pertencimento.

Não existe filme e não existe “dormir até tarde” que te dê a chance de emocionar-se como ir na sinagoga. E eu aprendi nas minhas viagens que é essencial permitir-se a chance de sentir emoção! As melhores ou piores memórias da vida, bem como ótimas lições, vem dessa chance de se emocionar.

Eu não sei você, mas eu pretendo aproveitar a chance de me emocionar. Shabbat Shalom!

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