Revisão do acordo com Cuba: mais um factoide do governo Trump?

nO Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na semana passada um revisão do acordo entre EUA e Cuba feito pelo seu antecessor, Presidente Obama. Esta é uma mudança parcial e que ainda precisa ser detalhada pelo Departamento de Tesouro e Comércio dos Estados Unidos.

O que vai mudar? Americanos que quiserem viajar para Cuba e gastar na ilha os seus dólares vão precisar de uma licença especial emitida pelo Departamento do Tesouro (essa necessidade de licença já existia na época do governo Obama, conteúdo era uma política volta de leniências) e indivíduos Americanos não vão poder transferir dinheiro para militares Cubanos (as Forças Armadas Revolucionárias Cubanas controlam vários setores da economia – inclusive o de turismo, que tinha previsão de crescimento após o acordo criado pelo Presidente Obama). Além disso, se estuda a eliminação de viagens individuais à cuba.

O que não vai mudar? Famílias vão poder continuar a viajar entre Cuba e os EUA, pessoas que desejarem enviar dinheiro à familiares em Cuba vão poder continuar a fazê-lo (viajantes podem levar consigo até US$10,000) e o embargo à uma variedade de produtos Cubanos vai continuar. Além disso, as embaixadas de Havana em Washington e dos EUA em Havana vão continuar abertas.

O acordo original e as modificações do atual governos Americano tem por motivação principal a questão dos direitos humanos? Não, até porque se esta fosse a principal motivação para se fazer acordos internacionais, os EUA nunca iriam fazer acordos com a Arábia Saudita.

Na prática, as mudanças feitas pelo atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não vão mudar radicalmente o acordo existente feito pelo Presidente Obama, contudo, essas mudanças vão servir para lembrar a ditadura dos irmãos Castro que houve uma mudança de administração no governo Americano, vão servir também para satisfazer vozes anti-castristas dentro do Partido Republicano e para deixar felizes aqueles que ainda vivem na época da guerra fria.

O acordo feito pelo Presidente Obama com o governo totalitário da ilha Cubana foi mais um erro da política externa do antecessor de Trump. Este foi um acordo cujas consequências principais eram o enriquecimento dos militares Cubanos, fortalecimento da ditadura dos Castro e, tudo isso, com o minimo de mudanças políticas necessárias para alegrar o público externo à ilha. Na época do acordo, eu lembro que me perguntei o que os EUA ganhava com isso? Um pouquinho de soft power (ou seja, menos Latino Americanos iriam afirmar que a miséria política e econômica da ilha era unicamente culpa do bloqueio Americano que, na cabeça de muitos, surgiu do nada)? Será que valia a pena?

Qual é o futuro da ilha? Existem dois precedentes históricos que são relevantes ao analisarmos o futuro da economia cubana; a extinta união soviética e a China. Fazer o paralelo entre esses dois países e Cuba, levando em conta as diferenças geopolíticas e históricas entre eles, nos permite vislumbrar possíveis caminhos políticos e econômicos para que os cubanos podem tomar a longo prazo. Cuba é um país que possui paralelos históricos com a extinta União Soviética no momento em que ambos os países tiveram sua história modificada por revoluções armadas que estabeleceram um regime socialista, com o objetivo de alcançar uma sociedade utópica. No entanto, tal utopia se tornou um pesadelo quando, por diferentes razões geopolíticas externas e semelhanças sociais e econômicas internas, ambos os países sofreram com uma economia paralisada e um governo ditatorial falido, que levaram os dois países a buscar uma abertura política e econômica.

Na Rússia, as aberturas econômica e política foram fortes e levaram este país a adotar um regime capitalista e uma “democracia”. Cuba se encontra em uma encruzilhada histórica semelhante, uma mudança econômica e política no estilo Russo seria bom para a ilha governada pelos irmãos Castro. Contudo, a China é outro exemplo, semelhante ao da falida URSS, na qual houve uma adoção de um regime capitalista (capitalismo de Estado), mas não houve a adoção de uma democracia liberal, ou seja, a ditadura do partido único comunista ainda se mantém no poder.

É importante considerar que Cuba é diferente da Rússia e da China, principalmente devido a sua extensão territorial e proximidade com os Estados Unidos. O que leva o nosso exercício de futurologia a uma terceira hipótese. Nesta, Cuba adotaria uma abertura política e econômica, levando a queda da ditadura dos irmãos Castro (finalmente!) e a eleição de um governo mais próximo aos interesses americanos na região. A longo prazo, nessa hipótese, Cuba provavelmente se tornaria um protetorado americano. Prever o futuro na economia é uma tarefa no mínimo hercúlea, especialmente quando o foco de uma análise são países instáveis economicamente e politicamente, pode-se afirmar que uma abertura econômica e política é necessário para uma economia favorável a longo prazo para qualquer país. Os exemplos históricos sugerem que apenas a adoção de uma economia de mercado sem adoção de uma democracia liberal leva a “uma economia favorável” apenas para aqueles que governam e não para o povo.

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