Pessoas Interessantes: Baruch Espinoza, Rabinos Yosef Karo e Samson Hirsch.

Baruch Espinoza

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Espinoza (ou Bento Espinoza) foi um dos mais famosos filósofos da era moderna. Ele viveu no século XVII e é interessante porque é um personagem daqueles debates sobre identidade Judaica e relação indivíduo/comunidade que ainda existe na comunidade Judaica até os dias de hoje.

O evento mais marcante da vida Judaica de Baruch Espinoza foi o fato de que ele foi expulso da comunidade Judaica de Amsterdã – uma das mais sofisticadas da Europa na época – através de um cherem permanente e extremamente duro que o separou para sempre da sua comunidade. Por que ele foi expulso? Existem várias teorias. Ele abertamente expressava ideias contrárias ao establishment religioso da comunidade Judaica em uma época e local em que esta comunidade queria e precisava se encaixar e evitar problemas. Na época, mais do que agora, os Judeus se preocupavam muito com o que os outros podem pensar da comunidade com base nas ações de um invidiou da comunidade.

E o Espinoza sempre falou sobre suas dúvidas e crenças abertamente, sem “medo de ser feliz”. Ele foi o único expulso? Não, muitos outros receberam cherem na época dele e por muito menos que o Espinoza.

Bento Espinoza recebeu uma excelente educação tradicional Judaica – bastante equilibrada entre tradição e a cultura do mundo moderno Europeu da época – e teve contato com não judeus considerados livre pensadores. Bento nunca se converteu à outra religião ou casou. Ele foi fortemente influenciado pelo pensador católico Rene Descartes e pelo padre jesuíta (expulso da Igreja Católica) Francisco Franciscus van den Enden. Ao contrário do que muitos pensam, ele não é um ateísta, ao contrário, ele era intoxicado por D’us – ele acreditava, de uma forma profunda, que D’us estava em todos os lugares e de todas as formas, e que a contemplação de D’us era a mais profunda expressão da identidade humana.

Ele não acreditava que as palavras da Torah foram entregues por D’us à Moshe Rabenu, ou seja, que as palavras da Torah eram as palavras autênticas de Hashem. Traduzindo: ele não acreditava nos treze princípios da fé Judaica.

Rabino Yosef Karo

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O Autor (como é conhecido no mundo yeshivish). O Rabino Yosef Karo (1488-1575) é o autor de um dos mais famosos e importantes livros da comunidade Judaica, o Shulchan Aruch, que consiste em uma compilação de todo o código de leis Judaicas (sem a ajuda de um computador!). É um livro surreal e extremamente útil. Hoje, você pode ter acesso a este livro, em PDF (inglês e hebraico), na internet.

O Rabino Yosef Karo viveu mais ou menos na época das perseguição ao Judeus pela Inquisição Católica Portuguesa. Ele teve contato com as histórias de pessoas que sofreram essas perseguições e de seus descendentes. É provável que a história do retorno de Shlomo Molcho ao Judaísmo tenha marcado o Rabino Karo de uma forma forte.

O Autor trabalhou na sua principal obra na cidade de Tzfat (Israel). Por que o Shulchan Aruch permanece relevante? (1) É muito difícil trabalhar com os textos do Talmud para entender a Halacha prática que você vai usar no dia a dia; (2) É mais fácil estudar Halacha utilizando esses livros de leis compiladas que são aceitos por um número enorme de comunidades. O Shulchan Aruch é o único livro do seu tipo? Não, existiam livros similares famosos tais como Bet Yosef e Tur.

Vale lembrar que o Rabino Karo não incluiu no Shulchan Aruch os costumes dos Judeus Poloneses e costumes de Judeus Ashkenazi – o que contribui para esse livro não seja universalmente aceitos.

Rabino Samson Raphael Hirsch

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Modernidade. Vida Judaica numa sociedade secular não Judaica. Conflitos de Identidade. Judaísmo liberal vs. Judaísmo Ortodoxo. Assimilação. Mudanças políticas. Um solitário homem de fé. Polêmicas. Esses eram os temas que marcaram a vida religiosa do Rabino Samson (1808-88) – que ainda permanece relevante.

O Rabino Samson Hirsch é lembrado hoje como um dos grandes Rabinos da Ortodoxia Moderna. Os seus trabalhos buscavam demonstrar que o Judaísmo Tradicional era totalmente compatível com a cultura Ocidental. Este rabino foi um produto do Haskalah (iluminismo Judaico). O que é a Ortodoxia Moderna sobre a qual este Rabino tanto refletia? Este modo de vida consistia da aderência as práticas ortodoxas da Halacha, ao mesmo tempo em que os Judeus se inseriam na sociedade não Judaica secular ao seu redor e abraçavam valores Ocidentais. Ou seja, Torah im Derekh Eretz.

Na prática, isso significava ter orgulho de ser Judeu, acreditar nos valores eternos e nos preceitos da Torah de origem de divina, e, ao mesmo tempo, ter uma forte bagagem cultural, ser um homem ou uma mulher que pertence ao mundo moderno.

Ele escreveu livros que ficaram muito famosos, tais como: “As Dezenove Cartas de Ben Uziel” e “Horeb: Ensaios Sobre os Deveres de Israel na Diáspora”. Esses livro deixam claras as visões do Rabino Hirsch sobre a religião Judaica e sobre política, por exemplo: ele não esconde as suas críticas aos Judeus reformistas.

O livro “As Dezenove Cartas de Ben Uziel” demonstram o contato com a realidade que esse Rabino tinha, a capacidade dele de responder as grandes dúvidas dos jovens Judeus da época dele e são cartas muito eloquentes. Eu já li trechos desse livro e me marcaram profundamente.

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