Pessoas Interessantes: Henritta Szold, Micha Bin Gorion e Kafka.

Henrietta Szold

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Sionista. Líder. Religiosa. Professora. Estudiosa. Mulher. Escritora. Tradutora. Filha de um rabino Ortodoxo. Fundadora da Hadassah – Women Zionist Organization of America (conhecida no exterior como WIZO). Estudou no JTS nos anos de 1920 (com a condição de que ela não aceitasse receber uma simkha de Rabino ao final do curso).

Duas experiências marcaram profundamente a vida de Henrietta Szold. A primeira delas aconteceu durante a sua primeira viagem pela Europa, na década de 1880, quando Henrietta tem contato com o mundo dos Judeus do Leste Europeu. A pobreza e o desespero no qual esta comunidade estava imersa causou um grande impacto nela. A segunda, foi quando ela percebeu o quão secundário e pobre era o lugar reservado às mulheres na comunidade Judaica Ortodoxa na época dela. Essas duas causas: preocupação com o destino das massas empobrecidas de Judeus e o papel da mulher na comunidade Judaica compunham o horizonte na direção em que ela caminhou na sua vida.

A realidade da época para mulheres colocou essa incrível mulher que era muito instruída e uma super escritora (ela chegou a se envolver na Jewish Publication Society) em segundo plano. Um amor não correspondido, leva Henrietta para uma crise existencial aos quarenta anos. A irmã de Henrietta decide leva-la para uma viagem para a Europa (ótima irmã, certo?). Durante essa viagem, Henrietta visita a Palestina Mandatária e fica impressionada com as dificuldades enfrentadas pelos primeiros Judeus que decidiram voltar para eretz yisrael.

Quando Henrietta Szold retorna para os EUA, ela decide pegar todas as frustrações amorosas dela e seus taletos, e provocar mudanças. Então, ela funda a Hadassah – Women Zionist Organization of America. Essa organização cresceu e se tornou bem sucedida. Basicamente, Henrietta organizou e mobilizou – nacionalmente – um enorme pool de ideias e habilidades que, as vezes, é subaproveitado pela comunidade Judaica religiosa: as mulheres judias. E ela não parou só em mulheres. Henrietta organizou um bem sucedido movimento para estimular jovens Judeus Americanos à emigrar para Israel.

Uma frase atribuída à Henrietta Szold que me chamou atenção foi, “Se somos realmente sionistas como afirmamos, qual o sentido de nos reunirmos apenas para tomar chá? Vamos fazer algo útil – vamos organizar as mulheres judias da América e enviar enfermeiras e médicos para Eretz Israel”.

Tal como outros Judeus sionistas, ela era muito sensível politicamente e tinha várias ideias nesse área. É curioso que ela tinha uma visão a respeito do futuro de eretz yisrael que era incomum na época; ela acreditava numa solução para conflitos entre Judeus e Árabes baseada na criação de dois Estados.

Outra curiosidade, quando a mãe dela morreu, ela não aceitou a oferta que vários homens fizeram à ela, a de rezar Kaddish por sua mãe. Ao contrário, sobre isso ela escreveu: “Eu acredito que a eliminação das mulheres de tais obrigações nunca foi o objetivo – pela nossa Lei e pelos nossos costumes. As mulheres eram liberadas dos mitzvot positivos quando não podiam fazê-los (por questões de responsabilidade familiares), mas não quando podiam fazê-lo. (…) Se nós pudéssemos fazer esses mitzvot, a ação de fazê-los não deveria ser considerada menos valiosa ou válida do que quando um homem os faz”.

Henrietta Szold nunca se casou e nunca teve filhos.

 

Micha Bin Gorion

Micha Josef Berdyczewski ou Mikha Yossef Bin Gorion (1865 – 1921).

Mais um escritor Judeu que viveu entre a modernidade e a tradição. Bin Gorion nasceu no que hoje conhecemos como a Ucrânia, ele era descendente de rabinos chassídicos e recebeu sua educação religiosa, primeiro, em casa com aulas de Talmud e, depois, na Yeshiva de Volzhin.

Durante a sua adolescência, ainda na Yeshiva, Bin Gorion começou a ter contato com escritores do Haskalah (Iluminismo Judaico) e, este contato, fez com que o nosso escritor vivesse um conflito entre as ideias do mundo moderno e conceitos/forças do Judaísmo tradicional. Tal conflito este presente durante toda a sua obra.

Ao sair da Yeshiva, Bin Gorion sem mudou para Charlottenberg, na Alemanha. Nesse período, ele se envolveu com vários trabalhos literários e se tornou um fervente entusiasta da busca Judaica pela identidade moderna – distante da rigidez do modo de vida tradicional religioso. Ele passou anos da sua vida pesquisando sobre lendas e folclores Judaico.

Eu considero o Mincha Berdyczewski uma espécie de OTD (“Off The Derech”) do século XX. As sua história de vida me lembra a de vários outros jovens Judeus que conheci em Nova York e que se sentiam oprimidos ou enganados pelo modo de vida religioso das comunidades ultra-ortodoxas nais quais haviam nascido. As histórias desses jovens que conheci em NY e a posição crítica em relação à religião causaram uma grande impressão em mim – algo que me fez refletir sobre teshuvah, Ortodoxia e como nós, judeus religiosos, as vezes, afastamos pessoas do Judaísmo.

Entre as principais obras literárias de Bin Gorion, temos: “The Legends of The Jews”.

 

Franz Kafka

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Kafka (1883-1924) era um judeu de classe média nascido na comunidade judaica Alemã de Praga e se tornou, depois de sua morte, um dos maiores nomes da literatura de ficção.

Ele era inovador, engraçado, criava enredos estranhíssimos – kafkanescos – e que possuem uma profundidade que até hoje encanta aqueles apaixonados por livros.

“Suas obras também conseguem formalizar e abrigar leituras totalmente relacionadas com a condição do ser humano moderno. O olhar kafkiano é direcionado para coisas como a opressão burocrática das instituições, a “justiça” e a fragilidade do homem comum frente a problemas cotidianos” (Renato Roschel, Almanaque – Folha de São Paulo).

Kafka teve uma relação difícil com os pais. A sua mãe, Julie, tinha dificuldade de entender o potencial do talento do filho enquanto escritor, enquanto o pai, Hermmann, era tão tirano na sua vida familiar quanto era bem sucedido nos negócios. Ambos tiveram forte influência nos textos do escritor.

Franz Kafka se apaixonou por uma mulher chamada Dora Dymant, que tinha em comum com ele o fato de ser judia e suas preferências políticas. Eles viveram juntos em Berlim.

Tanto na educação quanto na sua vida profissional, Kafka foi marcadamente influenciado pela Europa. Ele teve sofreu um forte impacto emocional com a Primeira Guerra Mundial e não viveu para ver a Segunda Guerra, porque em 1917 ele desenvolveu tuberculose. Kafka morreu na Áustria em 1924.

Antes de morrer, Kafka pediu para o seu melhor amigo, Max, que queimasse todos os seus contos. Max preservou e publicou vários de seus livros.

Ele tinha três irmãs mais jovens que morreram em campos de extermínio nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, Kafka esta enterrado com a mãe e o pai no novo cemitério judaico de Praga.

 

 

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