Pessoas interessantes: Thomas Mann, Arthur Schnitzler e Ernst B. Hass.

Thomas Mann

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Thomas Mann (1875-1955)foi um dos melhores escritores Alemães do século XX. Ele viveu o início da sua vida criativa em Munique e foi influenciado pelos filósofos Schopenhauer e Nietzsche, pelo gênio Goethe, bem como pelo compositor Alemão Wagner. Ele foi o autor de várias obras incríveis, entre elas temos: “Buddenbrooks”, “Morte em Veneza”, “Lotte in Weimar: The Beloved Returns” e “A Montanha Mágica”. Mann ganhou o Nobel de Literatura em 1929.

Pode-se afirmar que Thomas Mann teve a sua vida criativa afetada pelas pelos terremotos políticos do século XX. A Primeira Guerra Mundial despertou em Mann um forte patriotismo. A República de Weimar plantou nele o apreço pelos princípios democráticos. Durante os primeiros anos da década de 1930, Thomas Mann começou a se preocupar com os perigos do fascismo e a fragilidade da tolerância humana. Foi em outubro de 1930, na Sala Beethoven (Berlim), sob a interrupção de gritos nazistas, ele fez um discurso intitulado “Ein Appell an die Vernunft” (“Um Apelo À Razão”, em português) no qual ele pediu oposição às ideias do Nacional Socialismo. Em 1941, em um dos seus discursos anti-nazistas divulgados pela Rádio BBC, ele menciona o texto de “Um Apelo À Razão” como um “apelo a uma Alemanha melhor – isso serve hoje, mesmo que tenha sido sútil, para acalmar a minha consciência muito mais do que tudo que alcancei e realizei com artista”.

Em 1933, quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, Mann e sua esposa estavam na Suiça e foram avisados pelos seus filhos que não deveriam voltar à Munique. Era o início do exílio para Thomas Mann. Ele se tornou cidadão americano no exílio e só retornou para morar na Alemanha em 1952.

Considero relevante mencionar o fato de que, enquanto esteve no exílio, Thomas Mann trabalhou juntamente com a Rádio BBC fazendo discursos, em Alemão, para o povo Alemão, sobre os crimes dos Nazistas, fazendo críticas ao Hitler, ao Nacional Socialismo e estimulado a resistência contra o regime nazista. O seu trabalho não era de um militante, mas de um escritor apaixonado pela liberdade. Thomas Mann teve os seus livros censurados e queimados na Alemanha Nazista.

Arthur Schnitzler

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Arthur Schnitzler (1862-1931) é um dos mais interessantes autores Austríacos que eu conheço. Em seus livros e peças de teatro, ele disseca a vida burguesa da Viena da virada do século XIX para o século XX. Ele tinha uma visão críticas e não muito otimista do mundo, e era fascinado por algumas das ideias de um contemporâneo, Sigmund Freud.

Schnitzler era filho de um renomado médico Judeu chamado Johann Schnitzler. Este último era especialista em garganta e muitos dos seus clientes eram estrelas da ópera e do teatro, o que fez com que Arthur tivesse contato com a vida teatral desde muito cedo.

O background Judeu de Arthur Schnitzler contribuiu para que ele tivesse interesse em escrever sobre os Judeus na vida moderna da Europa da sua época. Em 1912, ele escreveu uma peça de teatro chamada de “Professor Bernhardi”. Nesta peça, um médico Judeu se encontra entre a ética médica e o antissemitismo. O médico tem que garantir a qualidade de vida das últimas horas de um paciente terminal. Para tanto, o médico evita que um padre faça rituais religiosos, pois ele temia que o seu paciente fosse expostos a um sofrimento desnecessário. Esta decisão médica torna o médico alvo de ataques antissemitas.

De acordo com Arthur Schnitzler, o antissemitismo era um resultado natural da histórica posição de minoria dos Judeus em todas as terras, e que não havia sentimentalismo – Judaico ou Cristão – suficiente para evitar o resultado em questão. Contudo, para Schnitzler, a solução não seria o sionismo e nem a assimilação para a situação enfrentada pelos Judeus da sua época. Ele acreditava que cada Judeu deveria encontrar o seu meio de lutar contra o preconceito.

Arthur encontrou o meio dele ao preferir lutar contra os inimigos em Viena, onde se sentia em casa. Alguns dos seus livros mais famosos são: “O caminho solitário”, “Professor Bernhardi” e “Juventude em Viena”.

Ernst Barnard Hass

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Ernst Barnard Hass (1924-2003) nasceu em uma família de Judeus seculares, na Alemanha, e emigrou para os Estados Unidos quando os Nazistas chegaram ao poder em sua terra natal. Nos EUA, ele trabalhou na Inteligência do Exército e, nas sua vida civil, ele se dedicou ao estudo do Direito, Governo, Ciências Políticas e Relações Internacionais.

Hass se tornou um dos grandes nomes no estudo das Relações Internacionais. Ele escreveu cerca de 20 livros e publicou mais de cinquenta artigos científicos. Seus temas de interesse eram: a história do nacionalismo, comportamento dos Estado-nações, integração regional e Europa. Talvez a sua mais conhecida contribuição para o estudo das Relações Internacionais tenha sido uma teoria denominada: neo-funcionalismo.

Segundo a teoria do neo-funcionalismo para a explicação da integração regional entre os países, os Estados-nações criam as condições iniciais para esta integração. E, grupos de interesses regionais, juntamente com burocratas internacionais, levam esta integração regional adiante. Os governos nacionais passam, cada vez mais, à conferir mais autoridade para as organizações regionais e cidadãos passam a procurar organizações regionais para as soluções dos problemas.

De acordo com os neo-funcionalistas, a importância do nacionalismo e do Estado-nação tende a diminuir à medida em que um Estado supranacional central ganha mais força. Segundo esta teoria, existem três mecanismos que contribuem para o processo de integração: spill over, a transferência de alianças domésticas e a automação tecnocrática.

Existem várias teorias quanto à integração regional – o neo-funcionalismo é apenas uma delas – e, em geral, elas são muito baseadas no fenômeno de integração regional que ocorreu na Europa e originou a atual União Europeia (o neo-funcionalismo é uma teoria de integração que parte do princípio que os Estados envolvidos serão democráticos e desenvolvidos).

A originalidade acadêmica e conhecimento de Ernst Hass, o levaram a ganhar a admiração e a crítica de outros grandes nomes do estudo das Relações Internacionais, tais como: Stanley Hoffman e Keohane.

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