Sobre lugares calmos e lugares sinistros.

De todos os lugares que eu já visitei, existe um lugar que sempre retorna à minha mente; Peulla. Quando eu penso que gostaria de viver em outro lugar ou simplesmente respirar um ar diferente, eu penso em Peulla. Esta não é uma grande cidade ou um lugar onde grandes escritores e pensadores se encontravam, ao contrário, é um pequeno povoado na região da Patagônia Chilena, ele fica próximo à fronteira da Argentina.

Este povoado é a casa de 100 pessoas e 50 gatos, ou 50 pessoas e 100 gatos. Algo assim, eu não me lembro muito bem. É difícil que esses detalhes demográficos consigam competir pela minha memória com a paisagem – de tirar o fôlego – daquele lugar. Quando eu ficava de pé na porta do único hotel do povoado, eu conseguia ver um enorme lago. Sobre este lago havia uma neblina constante que fazia o lago parecer um espelho acinzentado. As montagens, com neve no topo até durante o verão, cercavam este lago até onde os olhos conseguiam alcançar.

Até hoje eu sou fascinada por aquela paisagem e pelo silêncio que pairava sobre aquele povoado à noite.

Eu certamente não conseguiria viver lá, porque eu prefiro a cidade grande, mas eu adoraria visitar Peulla novamente. Eu queria sentir a calma e o silêncio daquele lugar mais uma vez. Também gostaria de ficar acordada até tarde da noite para ouvir os sussurros dos corredores daquele hotel sinistro. A outra vez que estive em um local tão calmo e sinistro como aquele foi quando eu caminhei pelo Cimetiere Père Lachaise.

Aproveitei uma tarde fria e livre em Paris para visitar este cemitério. Queria visitar o passado e aproveitar a calma da caminhada naquele lugar do qual tanto ouvi falar. Eu vi muitas sepulturas de Judeus franceses e muitas estátuas. Eu olhava para as datas nas lápides e imaginava como era a vida daquelas pessoas naquela época na qual viviam. Infelizmente, eu não consegui encontrar o túmulo de um Rothschild, mas encontrei a do Oscar Wilde.

Em um certo momento, eu me peguei lendo o que havia escrito em uma lápide e, enquanto tentava imaginar como era a pessoa sobre a qual aquelas palavras se referiam, um corvo pousou sobre a lápide e berrou através da neblina. Eu não me assustei, mas achei a cena toda bastante sinistra.

Um sentimento de vazio pairava sobre aquele lugar como a neblina que existia ali. O intenso frio daquela tarde deixava o visitante ainda mais auto-consciente do vazio que existia ali. Eu senti esse mesmo vazio – como um grito abafado do passado que não consegue nem ser ouvido e nem ser completamente esquecido – no bairro Judaico mais famoso de Paris, o marais. Havia algo faltando em meio à massa de turistas que visita esses lugares.

Olhando em retrospecto, eu já visitei alguns lugares bastante calmos e alguns lugares bastante sinistros, mas todos ótimos lugares para puxar um caderno moleskine do bolso e escrever o que se passa na sua mente.

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