Pessoas interessantes: Adele Bloch-Bauer, Rahel Varnhagen e Joseph Bovshover.

Quem foi Adele Bloch-Bauer?

2.-Adele-Bloch-Bauer
Adele Bloch-Bauer – Fonte: Daily Art Daily.

 

Adele era uma mulher que fazia parte da aristocracia vienense do início do século XX, ela era casada com Ferdinand Bloch-Bauer e era amiga (havia rumores nunca confirmados de que eles poderiam ter tido um caso) de um dos mais famosos pintores austríacos de todos os tempos, o Gustav Klimt (1862-1918). Este último costumava retratar mulheres de roupas soltas e coloridas. Além disso, ele costumva empregar folhas de ouro nas suas pinturas. Klimt eternizou Adele Bloch-Bauer em um retrato que ficou conhecido como “Woman in Gold”.

“Adele Bloch-Bauer passava a impressão de possuir uma mistura refinada de persona romântica: doente e frágil ao mesmo tempo que era auto-consciente e orgulhosa dona de um salão (…). Ela estudou Alemão, Francês, e literatura clássica inglesa sozinha, a partir da sua própria iniciativa. Ela era delicada, aparentemente frágil, e passava a impressão que sofria. O seu rosto estreito sugeria elegância e vocação intelectual, ao mesmo tempo em que sugeria arrogância e presunção (…). Entre os grandes nomes que frequentavam o seu sação estavam o compositor Gustav Mahler (1860-1911) e Richard Strauss (1864-1949), Alma Mahler-Werfel (1879-1964), o autor Stefan Zweig (1881-1942) e Jakob Wassermann (1873-1934), artistas do circulo social de Gustav Klimt, atores de The Burgtheater, e depois da Primeira Guerra Mundial, o socialista Karl Renner (1870-1950) e Julius Tandler (1869-1936) (Elana Shapira)”. Essa era uma época em que a cidade de Viena fervia culturalmente e os salões das elegantes damas Judias da alta sociedade eram um ponto de encontro para todos os conseguiam fazer arte.

No testamento de Adele Bloch-Bauer, ela dou sua fortuna para várias instituições de caridade,e ntre elas a The Society of Children’s Friends, bem como doou sua biblioteca particular para a Viennese Public and Workers’ Library. Adele faleceu em 24 de Janeiro de 1925, em Vienna. Depois de sua morte, o retrato que Klimt pintou foi roubado por Nazistas e arianizada. Sua sobrinha, Maria Altmann, recuperou a pintura de sua tia Adele Bloch-Bauer em 2006.

 

Quem é  Rahel Levin Varnhagen?

Varnhagen-Rahel
Rahel Levin Varnhagen – Fonte: Jewish Women Archive.

 

Rahel Varnhagen (1771-1833) foi a primeira mulher Judia a se estabelecer como uma importante intelectual e figura política na cultura Alemã. Ele foi educada como Judia pela família e considerada um ícone cultural para muitos não Judeus. Ela é lembrada na história Judaica como uma das mulheres Judias a administrar um dos mais importantes salões culturais na Europa Central no século XIX (logo após a derrota de Napoleão).

Administrar salões onde artistas e intelectuais se reuniam era uma forma de famílias Judaicas muito ricas se inserirem na alta sociedade que os rejeitava por serem Judeus. Hoje, esses salões são lembrados pela qualidade dos escritores, intelectuais, pesquisadores e artistas que passaram por lá, revelando a riqueza e efervescência cultural das cidades nas quais esses salões existiam. Tal como muitas mulheres nas circunstâncias de Rahel Varnhagen, ela também se converteu ao cristianismo, tanto para conseguir casar com Karl August Varnhagen von Ense quanto para facilitar a sua assimilação na sociedade ao redor. Além disso, naquela época era comum que os jovens Judeus considerassem a tradição Judaica árida e a conversão ao cristianismo era um “caminho fácil e insignificante” para a sociedade na qual eles queriam se inserir.

O que é interessante a respeito dela e que ainda provoca fascínio em muitos Judeus que se debruçam sobre os seus textos? Além dela ser um brutal retrato de seu tempo, Rahel Varnhagen coloca um forte conflito pessoal a respeito de sua identidade Judaica nos textos que ela deixou para nós. Ela claramente desejava se assimilar e ser aceita pelos demais membros da sociedade que ela admirava, mas o seu status como Judia a obrigava a ficar de fora para sempre. Em um de seus textos, ela afirma que odiava o fato de que tinha que se legitimar, se provar todos os momentos só porque era Judia. É um retrato comum dos Judeus na Diáspora e um marcante retrato da identidade Judaica-Alemã pós-emancipação Judaica.

Durante o período de sua vida, Rahel passou de parvenu para pária em decorrência do antissemitismo. “What for a long period of my life has been the source of my greatest shame, my most bitter grief and misfortune—to be born a Jewess—I would not at any price now wish to miss”, confessou Rahel, no fim de sua vida, ao seu marido. Após o falecimento de Rahel Varngahen, seu marido publicou um livro com o material escrito por ela, “Rahel: A Book of Memories for Her Friends” (1834).

Hannah Arendt escreveu uma biografia da Rahel Varnhagen, “Rahel Varnhagen: The Life of a Jewess”, após descobrir os textos de Rahel nos anos de 1920. O que provavelmente contribuiu ainda mais para a fama de Varnhagen. Arendt descreve a complexidade do mundo no qual Rahel estava inserida (era um mundo logo pós-guerras napoleônicas, marcado pelo início da emancipação dos Judeus, a Rahel era uma figura que se correspindia com famosos autores, políticos e artistas de seu tempo…). Ao mesmo tempo, ao olhar para Rahel, Arendt analisa a sua própria identidade enquanto Judia, Alemã e pária. Arendt tal como Rahel experimentaram a sensação de não pertencimento a cultura alemã.

 

Quem foi Joseph Bovshover?

1_bovshover
Joseph Bovshover – Fonte: Yiddishkayt.

 

Bovshover (1873 – 1915) nasceu em Lyubavich, 1873. Sim, ele nasceu na mesma cidade em que o movimento hassidico conhecido hoje como Chabad surgiu. A comunidade Judaica de Lyubavich foi vítima da invasão nazista à URSS. A comunidade foi massacrada em 1941. Bovshover nasceu em uma família que carregava consigo uma longa tradição de estudiosos. O pai dele queria que ele se tornasse um rabino, mas Joseph Bovshover não queria esse destino para si.

Joseph Boshover emigrou, cerca de cinqueta anos antes da onda de violentos progron anti-Judaicos, do que ele chamava de “terras oprimidas e maltratadas pelo Czar” para Nova York. Como escritor, ele era influenciado por Morris Vinchevsky, David Edelstadt, Morris Rosenfeld, bem como Heinrich Heine, Walt Whitman, e a Biblía. Politicamente, em Nova York, ele se envolveu com grupos anarquistas e comunistas, e escreveu poemas envolvendo esses temas. Boshover ficou conhecido, irônicamente, como um socialista e entusiasta da cultura Judaica. Ele era um retrato do seu tempo – estranhos são aqueles que querem ser Joseph Bovshover em 2017.

“I come like a comet ablaze, like the sun when the dawn is awaking; I come like tumultuous tempest, when thunder and lightning are breaking; I come like the lava that rushes from mighty volcanoes in motion;I come like the storm from the north that arouses and angers the ocean; I led the downtrodden and tyrannised peoples of past generations; I helped them to throw off enslavement, and gain their complete liberations; I marched with the spirit of progress, and aided its every endeavour; And I shall march on with the peoples, until I shall free them for ever”, este é um trecho de um dos mais famosos poemas de Bovshover, “Revolution“.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s