Introdução ao Haskalah

Segue, abaixo, os relatos que eu fiz durante a minha viagem pela Europa Central. Eu sempre tive interesse em conhecer esta região tanto porque pela sua relevância para o Haskalah (iluminismo Judaico) quanto pela sua relevância para a história do pensamento Realista das Relações Internacionais. Após os relatos, eu indico três livros para você compreender o ambiente político, social, e cultural desse pedaço da história Judaica chamado de Haskalah. Um período que até hoje influencia a identidade Judaica contemporânea.


 

 

Berlim é uma cidade que despertou vários sentimentos em mim – por um lado, é estranho ouvir a língua alemã fora do contexto dos filmes e é impossível não pensar no passado nazista da cidade, mas, por outro lado, esta é uma cidade bastante cosmopolita, cujos monumentos lembram cada pedaço da sua história, e com uma excelente infraestrutura.

Nas fotos acima, você poderá ver a casa do Presidente da Alemanha, o prédio do Parlamento da Alemanha, o Portão de Brandemburgo e outros pontos turísticos da cidade. O prédio do parlamento (segunda foto) me chamou atenção devido à cúpula de vidro que existe no topo da estrutura. Está cúpula de vidro, pelo qual os visitantes passeiam, representa que o povo está acima do governo e não o contrário.

Existem monumentos espalhadas por toda a cidade. Tanto os momentos sombrios e vergonhosos, quanto os momentos de glória da Alemanha são lembrados. Eu fiquei impressionada com o cuidado e a importância que os Alemães dão para o aprendizado das lições históricas do país.

Eu escondi a minha medalha da estrela de David durante a minha visita? Digamos que, durante a minha visita à Europa Central, eu venho aprendendo a esconder o meu pingente da estrela de David, pois chama atenção. O antissemitismo é persistente nessa parte do mundo e as pessoas olham para você de uma forma diferente quando você está com símbolos Judaicos. Então, alguns Judeus dos Estados Unidos e de Berlim me aconselharam à colocar o meu cordão por debaixo da minha blusa. Contudo, durante a minha visita à Alemanha, eu expus o meu cordão com pingente da estrela de David normalmente. Eu também tive a oportunidade de comer um falafel delicioso em um restaurante Casher israelense (Glatt). É interessante mencionar que existem muitos israelenses em Berlim, em especial, existem muitas pessoas de Tel Aviv nesta cidade que é o coração da Europa. Vários restaurantes israelenses podem ser encontrados pela cidade, mas nem todos são Casher.

 

 

Restaurante israelense (Casher – Glatt) em Berlim. .

Eu tive um certo choque cultural ao chegar em Berlim. As pessoas na cidade são mais frias, silenciosas, e distantes que os brasileiros. O que não impediu vários berlinenses de me ajudar – sempre com muita simpatia – a encontrar os locais que buscava pela cidade quando eu estava perdida. Contudo, foi um alívio chegar no restaurante Eivigi’s (uma dica de um rapaz do Chabad local). O restaurante é administrado por dois israelenses muito calorosos, animados, que falavam alto, e que me lembraram do comportamento dos brasileiros. Se você se encontrar perdido por Berlim, visite esse lugar aconchegante, barulhento, e extremamente feliz.

Essa viagem tem me ajudado à mergulhar nos livros de geopolítica que uso como base teórica do meu Trabalho de Conclusão de Curso e também me ajudaram a compreender melhor a cultura dos Judeus oriundos da Europa Central. Por exemplo, com o frio que faz aqui, é natural que meias pretas grossas tenham sido incorporadas ao padrão de tzniut de algumas comunidades Judaicas ultra-Ortodoxas. Quando você é um Judeu liberal ou secular, o ambiente jovem e cosmopolita de cidades como Berlim é como uma brisa de ar fresco, mas quando você é um Judeu Ortodoxo, ou seja, quando você é visivelmente Judeu, você é um pouco como um outsider. E quando você se sente um outsider, isso se traduz nas suas práticas Judaicas e na sua relação com o mundo não Judaico e as ideias deste mundo.

 

 

Este é o Memorial dos Judeus Assassinados da Europa. O memorial consiste em um parque, na superfície, contendo blocos de cimento que representam lápides. Cada uma tem um tamanho único e você pode andar entre elas por pequenos corredores. No subterrâneo, existem varias salas contendo a história do extermínio perpetrados pelos Nazistas, relatos de famílias que perderam as suas vidas durante o Shoah e um registro dos locais onde esses extermínios aconteceram (quarta foto).

Você não paga nada para visitar esse local e a visita está disponível em varias línguas (incluindo português).

Cada museu sobre o Shoah é diferente. O Yad Vashem (Israel) oferece uma experiência e lições sobre o Shoah que são diferentes das experiências e lições oferecidas pelo Museu do Holocausto de Nova York (EUA). Por exemplo, o Yad Vashem possui uma narrativa com lições particularistas, enquanto o Museu do Holocausto de Nova York possui uma narrativa com lições universais. Este museu de Berlim é voltado para os cidadãos alemães, pois é feito para educar os alemães não apenas através de fatos, números e mapas, sobre o procedimento de extermínio dos Nazistas, mas também para colocar nomes e rostos nessas vítimas. Tal como todo museu sobre esse tema, é um ambiente que causa muita tristeza naqueles que visitam. Eu vi muitos turistas e jovens alemães esperando na fila para entrar neste memorial, incluindo alguns mulçumanos, e eu vi também o quão tristes essas pessoas estavam ao chegar no último salão do memorial.

No meu caso, a parte que mais me marcou foi o corredor das lápides (primeira foto). Dependendo do corredor que você pega, as lápides podem ser altas ou baixas. No corredor que eu peguei para deixar a praça do memorial, as lápides eram altas e isso causava uma sensação de asfixia, e de andar, mas não consegui sair da escuridão.

 

 

Sabe qual foi o primeiro lugar que eu visitei em Berlim? O Centrum Judaicum Faudation. Eu visitei o prédio da Nova Sinagoga Oranienburger Strasse. É uma sinagoga ainda mais impressionante do que eu esperava.

Está sinagoga foi fundada no dia 5 de setembro de 1866. Ela é monumental, um prédio cuja fachada era obviamente uma sinagoga, e ela representava uma comunidade de Judeus #berlinenses que era tão orgulhosa do fato de serem Judeus, quanto eram orgulhos do fato de serem alemães. Essas eram pessoas que queriam ser Judeus, Alemães e Berlinenses ao mesmo tempo. No seu auge, essa sinagoga foi um dos maiores e mais belos prédios da cidade de Berlim. A fachada da sinagoga continha, em letras douradas, as palavras do profeta Isaías 26:2; “open ye the gates to let the righteous nation in, a nation that keeps the faith”. A comunidade Judaica que criou esse prédio, que preencheu os salões vazios pelos quais eu andei com sorrisos e música, e o prédio da sinagoga foram destruídos pelo antissemitismo e pela segunda guerra mundial.

Um dos objetos em exposição é um busto de mármore de Moses Mendelssohn. Ao contrário do que muitos pensam, este filósofo mantinha práticas religiosas Ortodoxas e não fundou o movimento reformista. Até hoje ele é um símbolo do Iluminismo Judaico e da integração dos Judeus à sociedade não-judaica do Ocidente. E sim, tal como muitos #Judeus Ortodoxos gostam de mencionar, nenhum dos seus descende eram Judeus e a sua família se assimilou completamente.

Uma curiosidade sobre essa sinagoga chama atenção: esta era uma sinagoga liberal e foi desta comunidade que surgiu a primeira Rabina do Judaísmo contemporâneo. O que me chamou atenção foi o fato de que ela tinha menos relevância na sua comunidade do que uma mulher que estuda para se tornar Yoetzet Halacha de uma comunidade Judaica Ortodoxa israelense hoje.

O salão que mais me chamou atenção nessa sinagoga foi o Salão dos #Representantes da Sinagoga (membros da diretoria daquela comunidade). É um #salão grande, bastante luxuoso e havia uma foto de uma reunião entre o Maccabi Palestine Handball Team e os dirigentes da comunidade. Existe algo de ordinário e envolvente a respeito desse salão.

 

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“… a mais bela e mais esplêndida casa de orações da capital da Alemanha é uma sinagoga, então é difícil negar que os Judeus são mais poderosos na Alemanha do que em qualquer outro país da Europa ocidental”, disse Treitschke (1879). Ele estava se referindo à Sinagoga Orianienburger Strasse. Esta sinagoga existe até hoje, é belíssima e foi a primeira sinagoga de Berlim que era visivelmente uma sinagoga e tinha a sua fachada voltada para a rua.

Caso você não saiba, Treitschke era um historiador antissemita que não gostou do fato do fato da sinagoga em questão ser um dos prédios mais incríveis de Berlim. Treitschke era um leitor de Rochau. Este último é considerado o pai da escola de pensamento Realista da Alemanha. Os Realistas das Relações Internacionais estão divididos em duas escolas de pensamento; a Alemã e a Americana. Treitschke também se considerava um homem da Realpolitik. Contudo, ele era um homem do seu tempo, ao contrário de Rachau e outros, que conseguiriam ver para além dos preconceitos do seu tempo.

Rochau, pai da escola de pensamento Realista de Relações Internacionais (Realpolitik – Alemanha) acreditava que o antissemitismo era irracional, repugnante, e delirante. Algumas teorias antissemitas, tais como a ideia de que os Judeus controlam os destinos dos países, são essencialmente contrárias à algumas das teorias básicas do universo dos Realistas das Relações Internacionais, entre elas, a de que o sistema internacional é anárquico e de que o comportamento dos países se baseia no equilíbrio de poder internacional. .

Entre os grandes nomes da escola de pensamento Realista das Relações Internacionais, temos: Henry Kissinger, Hans Morgenthau, Kennan, Spykman, Ludwig Von Rochau, Mackinder e Waltz.

Se você quiser saber mais sobre a história da escola de pensamento Realista das Relações Internacionais (tanto sua origem na Alemanha com Rochau, quanto sobre a migração dessas ideias para os Estados Unidos com homens como Morgenthau e Kissinger), vale à pena ler o livro que John Bew escreveu sobre o tema.

 

 

Esse é o Memorial do Muro de Berlim. Um muro que dividiu o mundo e Berlim por 28 anos, bem como se tornou um dos mais famosos símbolos da Guerra Fria. .

Este Memorial consiste em museu recontando o contexto histórico do Muro de Berlim, o que restou da Capela da Reconciliação, e Memorial das Vítimas da Tirania do Comunismo.

 

 

 

Essa é a praça Neumarkt de Dresden. Para àqueles que nunca ouviram falar de Dresden: vocês estão vendo os prédios escurecidos nas fotos? Os prédios dessa praça estão assim porque essa cidade sofreu um dos piores bombardeios da Segunda Guerra Mundial. .

Por que os Americanos e os Ingleses bombardearam essa cidade? Porque os aliados queriam quebrar o espírito de luta dos alemães para que a Segunda Guerra Mundial acabasse mais rápido através de uma mudança de regime (regime change scenario) ou de rendição.

Até hoje este é um episódio controverso da Segunda Guerra Mundial. Alguns acreditam que foi uma demonstração de força desnecessária contra um alvo civil (“um crime de guerra por parte dos aliados” segundo a guia que nos apresentou a cidade), enquanto outros ressaltam que Hitler e os alemães começaram a Segunda Guerra Mundial, invadiram vários países, fizeram a Polônia desaparecer do mapa, escravizaram pessoas que eles julgavam inferiores, bombardearam a Inglaterra, e exterminaram milhares de Judeus, então era necessário responder à Hitler numa língua que ele entendesse.

Alguns dos principais prédios dessa cidade ainda carregam as marcas do bombardeio que destruiu essa cidade e as marcas dos dilemas de uma guerra.

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Estátua em homenagem à Franz Kafka, no antigo bairro Judeu de Praga. Essa estátua foi criada por Jaroslav Róna e é baseada no primeiro romance do escritor, Amerika. Neste romance, um candidato (político) é carregado nos ombros de um gigante durante uma passeata.

Eu peguei um Uber para chegar ao bairro Judaico. O motorista era um senhor árabe que, durante o caminho, me contou curiosidades culturais sobre a cidade de Prague e sobre um dos seus escritores favoritos, o Franz Kafka. Ele chegou à citar um trecho de uma obra de Kafka na qual este escritor descrevia a cidade de Praga.

 

 

Essa é a Sinagoga Espanhola de Praga. Eu fiquei boquiaberta pela riqueza de detalhes das paredes dessa sinagoga. Além disso, o prédio dessa sinagoga me impressionou pelo fato de que você entra nele como entra em qualquer sinagoga. Quando eu subi as escadas para o andar de cima (onde as mulheres ficam), parecia que eu estava caminhando para a minha sinagoga com fiz em vários sábados. É estranho pensar que, hoje, está sinagoga é apenas um museu. Ninguém mais senta nesses bancos e lê o seu Siddur. Isso me deu uma sensação de vazio. No lugar das cadeiras e das pessoas rezando, existem mesas com exemplares de livros e fotografias das pessoas que frequentavam esta bela sinagoga.

Em um dos livros da exposição é possível ler as anotações sobre a Halacha do antigo dono daquele livro. A parte mais triste da exposição era uma caixa de madeira cheia de tefilim dos membros dessa comunidade. Eu não tirei uma foto dessa caixa, pois aqueles tefilim eram uma parte comum e extremamente bela da vida das famílias desta comunidade, e aquela caixa deve ser vista pelos visitantes dessa sinagoga, e não colocado no Instagram como mais uma imagem que passa pela sua tela num dia qualquer.

Os livros expostos nesse museu representam um legado intelectual tão belo quanto às paredes da sinagoga. Apesar dos Judeus que escreveram e leram esses livros terem vivido décadas antes de mim e em um mundo diferente do meu, os títulos refletiam temas que eu conheço: o dilema de preservar a tradição Judaica e se integrar na sociedade não-judaica ao seu redor, a contemporaneidade de grandes debates Rabínicos, psicologia e humanismo. Eu senti que eu poderia sentar numa daquelas cadeiras e conversar com os leitores desses livros. Infelizmente, eles não estavam mais lá.

No auge daquela comunidade, quando se poderia ouvir risos e música dentro dessa sinagoga, havia um ambiente intelectual extremamente vibrante. Hoje, só existe silêncio, turistas, e alguns Judeus Ortodoxos com lágrimas nos olhos.

 

 

Um certo dia… um jovem rapaz Judeu, secular, amante da cultura alemã, e #escritor, andou por essas ruas e viu os mesmos prédios que eu vi. Talvez, ele até tenha visto uma manhã como a que eu vi. Ele seria mais um Jovem rapaz Judeu, vivendo numa bela capital da Europa, em uma época conturbada marcada pelo antissemitismo, se não fosse pelo fato de que ele teve que cobrir o caso Dreyfus, em Paris. Durante a cobertura deste caso, nosso jovem rapaz ouviu a multidão gritando “morte aos Judeus!”. Essa experiência fez com que ele decidisse se debruçar sobre a questão Judaica.

O nome desse rapaz era Theodor Herzl. Hoje, ele é conhecido como o fundador do Sionismo moderno. Ele nasceu no bairro onde essas fotos foram tiradas.

Herzl começou a sua caminhada – nessas ruas pelas quais eu andei – acreditando no Haskalah, na promessa da emancipação dos Judeus da Europa, e na promessa da assimilação como uma forma de normalizar a existência do povo Judeu. Ele terminou a sua caminhada acreditando que era impossível curar ou derrotar o antissemitismo. Este último poderia apenas ser evitado com a criação de um Estado Judeu.

Herzl imaginava um Estado Judeu que combinaria o melhor da #cultura Judaica moderna com os valores Europeus. Ele acreditava que os cidadãos deste Estado não seriam religiosos e nem que a religião faria parte dos debates da esfera pública, os #cidadãos deste Estado falariam diversas línguas (ele não previu o hebraico como sendo a principal língua deste Estado), e este Estado seria uma terceira via entre o capitalismo e o socialismo (uma espécie de Estado de bem-estar social, com indústria e agricultura baseados em cooperativas).

A sinagoga da foto é a maior sinagoga da #Europa. É possível ver a estrela de David de longe e o prédio é belíssimo. Este foi desenhado pelo arquiteto vienense Ludwig Förster, em 1859. Essa sinagoga sobreviveu aos nazistas, à IIGM, e aos comunistas. Até hoje, ela possui um minyan ativo que ainda abraça o #Judaísmo Neolog.

Neolog Judaism é uma “linha” fortemente influenciada pela escola positivista-histórica do Rabino Zecharias Frankel (que não se dava bem com o #Rabino Hirsch 😉).

 

Depois que você vê um quadro do Klimt, todo o resto é comentário. Você precisa de – no mínimo – uma semana para apreciar Viena. Só o Museu do Palácio da Belvedere merece um dia inteiro para ter a sua beleza adequadamente apreciada. Os quadros do Klimt expostos nesse Palácio, atualmente, são “Judith I” e “O Beijo”. Ambos são impressionantes. Ao olhar nos olhos de Judith é impossível não considerar que Klimt tenha tido um caso com Adele Bloch-Bauer.

Durante as minhas caminhadas pela impressionante e irresistível Viena – a mesma cidade de incríveis nomes da literatura Judaica como Zweig e Arthur Schnitzler – eu encontrei a Mayr & Fessler. Esta última é uma loja que é o sonho para qualquer um que goste de escrever. Além da variedade e qualidade de canetas disponíveis, você também pode encontrar cadernos lindos. Os funcionários dessa loja te atendem em diversas línguas e, enquanto você está escolhendo a sua caneta, varias línguas de diversos países da Europa e do mundo podem ser ouvidas na loja.

 

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O mapa acima aponta todas as sinagogas que existem na Alemanha. Do lado esquerda, é possível observar todas as sinagogas. Do lado direito, todas as sinagogas que ainda estão em funcionamento.

Vários países da Europa possuem prédios que antes eram sinagogas ativas, ou seja, sinagogas nas quais famílias investiam seu tempo e dinheiro, nas quais jovens casais assinavam os seus contratos de casamento e demonstravam o seu amor para toda a comunidade, nas quais grandes rabinos discutiam, e sinagogas nas quais as pessoas se emocionavam com os feriados que marcavam o ciclo de vida Judaica.

Hoje, a maioria dos prédios dessas sinagogas estão abandonados, ganharam outras funções, ou são preservados com muito esforço por aqueles que não querem deixar o passado desaparecer completamente. Ao olhar para esses mapas, eu penso em todos aquelas que já não estão mais aqui e de todas as histórias que se perderam.

Mesmo com toda a animação oriunda de jovens seculares israelenses que vão para Berlin em busca de uma vida cosmopolita em uma das principais capitais da Europa, e de da riqueza cultural das comunidades Judaicas que permaneceram nas capitais europeias, é impossível não pensar que, da comunidade Judaica que existia pré-IIGM, só resta um vazio simbolizado por cemitérios e prédios que servem como monumentos de um passado despedaçado.

O antissemitismo continua vivo na Europa Central. Eu senti pouco antissemitismo em Berlim, mas o antissemitismo parecia aumentar à medida em que eu caminhava para o leste europeu. Isso me permitiu compreender melhor tanto o Rab Hirsch (Berlim) quanto o Rab Chatam Sofer (Bratislava).

Fonte do mapa: Times of Israel. Você pode ver outros desses mapas no historicsynagogueseurope.org

 

The streets of Viena. Mishaneh makom, mishaneh mazal, we’re taught – change your place, and your luck will change. .

 


 

Os textos acima permitem que você seja capaz de visualizar a Europa Central. Os livros, abaixo, permitem que você se familiarize com o mundo intelectual e social do Haskalah. Depois dessa base, você poderá compreender melhor outros livros específicos sobre grandes teólogos e mudanças que ocorreram dentro da comunidade Judaica, incluindo o surgimento da Ortodoxia Moderna como conhecemos hoje.

Uma das coisas que me leva à ter um enorme interesse pelo Haskalah é o fato de que este período parece ter sido um dos mais intelectualmente vibrantes da história Judaica. Bom, certamente, em comparação com o que temos hoje, este foi um período intelectualmente efervescente, mas houveram outros momentos dentro da história da comunidade Judaica mundial, nos quais houve tanto ou mais emoção entre os intelectuais Judeus religiosos e seculares.

Primeiramente, indico o livro “The Lady in Gold”, escrito por Anne-Marie O’Connor. Nesta obra a autora narra a história de uma das mais marcantes mulheres do século XX: Adele Bloch-Bauer. O livro permite que você compreenda as ideias, valores, e o ambiente cultural da Viena do início do século passado. Este é o mundo de Klimt, Freud, do Império Austro-Hungaro, um mundo que foi destruído por duas guerras mundiais. Destaco que esse livro permite que você compreenda a diferença social, intelectual, e cultural entre os “German Jews” e os Judeus do leste Europeu.

Em segundo lugar, eu indico “The Pity of It All: A Portrait of the German-Jewish Epoch 1743-1933”, escrito por Amos Elon. Uma amiga minha que é Judia e alemã me indicou esse livro, pois ele é um relato emocionante e completo sobre o Haskalah no caso específico dos Judeus Alemães. Este livro começa descrevendo a chegada do filosofo Moses Mendelsshon e termina descrevendo a emigração forçada de Judeus da Alemanha em decorrência da repressão nazista. É um livro repleto de histórias de esperança e tristeza, bem como de pessoas comuns e grandes pensadores.

Em terceiro lugar, eu indico o livro “Realpolitik: A History”, escrito por John Bew. Para entender o vibrante e triste mundo do Haskalah, é necessário entender o mundo não-Judaico que o cerca. Este livro de John Bew descreve a história da escola de pensamento Realpolitik das Relações Internacionais. Essa escola de pensamento é dividida entre a sua casa Alemã e a sua casa Americana, e permite a compreensão da geopolítica Alemã e de como ela afetou a história deste país.

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