A Universo Intelectual da Mulher na Comunidade Judaica Ortodoxa Contemporânea

Atualmente, um dos locais mais intelectualmente vibrantes para uma mulher Judia estar é a comunidade Judaica Ortodoxa. É provável que, para um não-Judeu ou para um Judeu liberal, essa afirmação pareça estranha ou ludibriosa. Afinal, esta comunidade parece ser um local intelectualmente árido para as mulheres e cheio de limitações que as impedem de alcançar posições de liderança.

Debaixo dessa superfície estereotipada que a comunidade Ortodoxa possui, temos uma comunidade Judaica extremamente diversa em termos políticos e práticas religiosas. Dentro dessa diversidade, surgem vozes como a do Rabino Samson Hirsch (1808-1888) e a do Rabino Joseph Soloveitchik (1903-1993), que defendiam que as mulheres Judias Ortodoxas deveriam ter acesso à educação religiosa de alto nível semelhante às que os homens têm acesso nas Yeshivot.

O Rabino Samson R. Hirsch (1808-1888) fez parte da primeira geração de Judeus que nasceu e cresceu fora dos guetos e dentro do que, no século XIX, era considerado o centro intelectual da Europa: a Alemanha. Neste centro intelectual, surgiu a Haskalah, um período de mudanças que alterou a comunidade asheknazita para sempre. Nesse contexto, Hirsch era um ferrenho opositor da comunidade Judaica Reformista e um crítico do que viria a ser a comunidade Ultra-ortodoxa (chassidica e não-chassidica). Por que? Hisrch acreditava na origem divina da Torah, era contra a análise do Judaísmo usando um framework irracional ou místico, mas não temia as influências do mundo não-Judaico, ao contrário, ele acreditava que era importante estudar a filosofia – e viver a cultura – secular.

O “mantra” do Rabino Hirsch era “Torah im Derech Eretz” ou “The Torah with the way of the land“. Nessa visão, a Torah não foi feita para substituir a cultura humana (derech eretz), mas para funcionar como um filtro através do qual um Judeu utiliza a sua razão para absorver esta cultura. Dentro desse “mantra”, o Judeu ideal seria aquele que viveria de acordo com a Halacha e apreciaria a cultura, o conhecimento e a sociedade secular ao seu redor (LEVY, 2013). Note, um grande posek como o Rabino Hirsch sabe que a Halacha é cercada de elementos tais como moral, emoções humanas, fatos de um certo período histórico, que influenciam a Halacha indiretamente, logo, ele sabe que é necessário levar esses elementos em consideração, ao tomar uma decisão sobre Lei Judaica, e se engajar com a sociedade  sem se assimilar (CARDOZO, 2014).

As ideias do Rabino Hirsch (1808-1888) não surgiram no vácuo e nem são uma exceção na história do pensamento Judaico, ao contrário, o racionalismo ashkenazita do Rabino Hirsch surge devido, entre outras razões, à uma influência da cultura sefardita e do pensamento clássico sefardita nas comunidades Judaicas da Alemanha (ler “German Jewry and the Allure of the Sephardic, do Dr. John M. Efron, 2016). Note, o pensamento clássico sefardita valorizava a capacidade do Rabinato de acompanhar as mudanças do mundo, abraçar o conhecimento secular, e a abertura a comunidade não-Judaica que cercava os Judeus (tudo isso sem reformar o Judaísmo). É irônico que eu, uma jovem judia da comunidade sefardita, tenha familiaridade com as ideias dos Rabinos Hirsch e Dov Soloveitchik, mas não com o grandes Rabinos que representam o pensamento clássico sefardita. O rabino Hirsch (1808-1888) também possuía uma necessidade de dar uma resposta, enquanto Rabino Ortodoxo, aos Judeus Reformista que ganhavam espaço em pleno Haskalah.

 

Most Jews today who have received a decent Jewish education know of figures such as R. Yosef Dov Soloveitchik, R. Samson Raphael Hirsch, Martin Buber, Franz Rosenzweig etc. But very few have heard of R. Yiḥya Qafiḥ of San’a, who strove to revitalize his community by promoting the classical rationalist Jewish thought of Maimonides and Saʿadia Ga’on, writing sustained and intense polemics against Kabbalah, and opening a school which taught science, mathematics, Arabic, and Turkish alongside Bible and Talmud. Not many know of Shadal (Shemuʿel David Luzzato), the head of the Rabbinical College of Padua, who promoted academic methodology for the study of classical texts in the seminary and opposed both Kabbalah and rationalist philosophy of the Maimonidean sort – or of Umberto Cassuto, a product of a similar rabbinical college in Florence, who saw no contradiction between being a strictly observant rabbi and a critical Bible scholar. Few have seen the responsa of Moroccan rabbis like R. Yoseph Messas and their fearlessness in attempting to synthesize halakhic solutions to some of modernity’s most pressing challenges (…), their inclusive approach to converts (…) and their encouragement of women who wished to study Talmud. The Tunisian R. Moshe HaKohen Khalfon’s powerful writings on charity, social justice, and world peace (written in the wake of World War I), firmly and yet creatively grounded in Jewish thought, are almost inaccessible to most (WUDL, 2018, on-line)

 

As ideias de Hirsch também encontram eco em Maimonides (1135-1204), no Rabino Joseph Dov Soloveitchik (1903-1993), e na obra “Torah Umadda” do Rabino Dr. Norman Lamm.

Torah Umadda” – cultura Judaica na qual um indivíduo vive imerso tanto na tradição e no pensamento Judaico, quanto no estudo e cultura secular acadêmica – é a filosofia de instituições como a Yeshiva University e Ohr Torah Stone. De dentro do mundo de “Torah Umadda“, temos uma das mais importantes vozes do Judaísmo do século XX, o Rabino Joseph Dov Soloveitchik (1903-1993) ou “The Rav” para os seus seguidores.

O Rabino Soloveitchik – que vinha de uma dinastia de respeitados Rabinos Ortodoxos lituanos que existi há mais 200 anos e é herdeiro da tradição Brisk – serviu como Rosh Yeshiva da Yeshiva University entre 1941 até 1985. Isto fez dele um respeitado posek (decisor de assuntos vinculados à Halacha) e arquiteto de políticas da comunidade Ortodoxa dos Estados Unidos. Ele era parte do Mizrachi Religious Zionists of America (RZA) e o Orthodox Rabbinical Council of America. Através de obras como “Halakhic Man” e “Lonely Man of Faith“, ele lidou com os desafios teológicos que surgiam a partir do choque entre a tradição Judaica e o mundo moderno. Para o Rabino Soloveitchik, a mesma Torah que requer o Judeu tenha uma total devoção à mesma, é a mesma Torah que pede para que o Judeu se engaje com o mundo.

Por que o presente texto relembra as ideias e obras dos Rabinos Samson Hirsch (1808-1888) e Dov Soloveitchik (1903-1993)? Porque, ambos, são vozes extremamente respeitadas, da comunidade ashkenazita, que defendiam que as mulheres deveriam ter acesso à educação religiosa Judaica de alto nível. O Rabino Hirsch ficou conhecido por influenciar a Sarah Schenirer, fundadora das escolas Bais Yaakov (FRANKFURTER, 2008), e o Rabino Dov Soloveitchik, que era a favor de tornar o estudo dos aspectos práticos e conceituais da Halacha e Talmud acessíveis para as mulheres, influenciou a Stern College e a Maimonides School (ACKERMAN, 2018).

Note, os exemplos de mulheres Judias Ortodoxas, tanto nas comunidades sefarditas quanto ashkenazitas, com acesso à instrução não começam após a Haskalah. Desde de figuras talmúdicas como a Bruriah até estudiosas contemporâneas como a Rebbetzin Holly Pavlov da She’arim College, temos vários exemplos de mulheres da comunidade Judaica Ortodoxa que alcançaram acesso à um alto nível de conhecimento dentro das limitações e possibilidades desta comunidade. Contudo, apenas no século passado, surgiram instituições educacionais equivalentes às Yeshivot para as mulheres tanto em Israel, quanto nos Estados Unidos. Ou seja, apenas no século passado surgiram instituições que forneceriam acesso, em massa, à instrução de alto nível para mulheres.

As mais conhecidas dessas instituições, também chamadas de midrashot, estão ligadas direta ou indiretamente com a Ohr Torah Stone. São exemplos delas: o Institute Jeanie Schottestein of Advanced Torah Study for Women (Nishmat), a Midreshet Lindenbaum Women’s College (Lindenbaum) e o Beit Midrash Migdal Oz. Essas instituições são vinculados à comunidade nacionalista religiosa ou Dati Leumi de Israel, bem como são fundamentadas na ideia de Torah im Derech Eretz, ou seja, que o estudo da Torah deve ser acompanhado de refinamento de caráter, trabalho, conhecimento das ciências, e conhecimento sobre o mundo social e cultural não-Judaico ao seu redor (no caso dos Judeus que vivem foram do Estado de Israel).

Baseado em Torah im Derech Eretz, também existe uma instituição, na comunidade Judaica Ortodoxa Moderna dos Estados Unidos, chamada de Yeshiva University. Nela, homens e mulheres religiosos da comunidade Ortodoxa, tem acesso, em ambientes separados, à educação secular e religiosa.

O que seria o acesso à educação secular e religiosa de alto nível ao qual o presente artigo se refere? Dentro das instituições da Ohr Torah Stone e da Yeshiva University, você vai encontrar mulheres que estudam Economia e Comércio, Pensamento Ocidental, Ciências Políticas, Biologia, Medicina, ao mesmo tempo que estudam Halacha, Filosofia e Pensamento Judaico, História Judaica, Sionismo, Guemara Avançada, Hassidismo, e Parashat Shavua.

Um exemplo prático da qualidade desta educação está na grade de cursos ofertados pelo Straus Center for Torah and Western Thought, da Yeshiva University. Pode-se citar como exemplos dos mesmos: “Wholly Moses – in Art, Culture and Jewish Thought“, “Athens and Jerusalem: A Study of Greek and Jewish Philosophy“, e “Rembrandt & The Jews: Art as Midrash in 17th Century Amsterdam“. Segundo o diretor deste centro, o Rabino Dr. Meir Soloveichik, a missão do Straus Center é:

 

The Straus Center for Torah and Western Thought of Yeshiva University was founded with the aim of more fully realizing Yeshiva University’s mission: to create truly educated Jews by bridging Judaism and the West, teaching them how the Jewish faith has so deeply shaped so many of the achievements associated with modernity and encouraging them to defend the traditions, and the canon, of Western civilization itself (…). The Straus Center for Torah and Western Thought helps develop Jewish thinkers and wisdom-seeking Jews by deepening their education in the best of the Jewish tradition, exposing them to the richness of human knowledge and insight from across the ages, and confronting them with the great moral, philosophical and theological questions of our age. We are dedicated to bridging an immersion in Torah study with formative academic experience and host numerous high-profile academic and communal programs throughout the year (SOLOVEICHIK, 2018, on-line).

 

Por que o acesso ao conhecimento, dentro da comunidade Judaica Ortodoxa, é relevante? O conhecimento Talmud Torah – no sentido mais amplo desse conhecimento – fornece as bases para você compreender a política, a Halacha, e os debates sobre identidade Judaica contemporânea que acontecem na comunidade Judaica Ortodoxa. A compressão desses debates permite que um Judeu ou uma Judia influencie os mesmos. O acesso das mulheres à um conhecimento de alto nível, tanto secular quanto religioso, permite que elas participem do mundo Judaico Ortodoxo contemporâneo como protagonistas.

Imagine o poder, a liberdade individual, a relevância, e a autonomia de uma mulher que consegue discutir Halacha de tzniut, saber as bases políticas, históricas e Halachicas de um dado tema, e saber as possibilidades e limitações que possui, como mulher, dentro da comunidade Ortodoxa, sem depender do seu marido ou do homem mais instruído de sua família.

Conhecimento e coragem moral, dentro da Comunidade Judaica Ortodoxa, são ferramentas de poder. Não é ser contada como membro de um minyan, não é usar talit, não é sentar numa sinagoga sem mechitzah, mas sim, conhecimento é o que fornece poder para uma mulher na comunidade Judaica. Pode-se citar como exemplo de mulheres que são lideranças religiosas, políticas, e sociais, da comunidade Ortodoxa contemporânea: a Rabbanit Chana Henkin e a Rosh Beit Midrash Esti Rosenberg.

 

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Imagem I. Rabbanit Chana Henkin. Fonte: Jewish Press < http://www.jewishpress.com/indepth/the-origin-of-yoatzot-halacha-women-advising-women/2017/12/28/ >.

 

A Rabbanit Henkin (1945-…) estudou na aclamada Stern College da Yeshiva University e fez pós-graduação na YU’s Bernard Revel Graduate School. Ela também recebeu doutorado honorário tanto pela Universidade Bar-Ilan quanto pela Yeshiva University, bem como ganhou o prêmio Agrest Prize por inovação na educação religiosa.

Chana Henkin é fundadora e diretora do Institute Jeanie Schottenstein of Advanced Torah Study for Women. Ela é uma referência na área de educação Judaica para mulheres da comunidade Judaica Ortodoxa, em especial, da comunidade sionista religiosa de Israel, e é casada com o Rabino Yehuda Henkin (respeitado posek da comunidade Ortodoxa).

Todos os anos, 12 pessoas são escolhidas para receber a honra de ascender as chamas da independência de Israel, na cerimônia de Yom Haatzmout (Dia da Independência de Israel). No ano de 2017, a Rabbanit Chana Henkin foi uma dessas mulheres.

Existem duas contribuições que a Rabbanit Chana Henkin fez que merecem destaque: (1) ela criou a Nishmat e (2) ela criou um curso de Yoatzot Halacha para mulheres.

A Nishmat, criada em 1990, é uma das instituições do mundo que abrem as portas para um aprendizado de alto nível de Torah. Nesta instituição, mulheres são treinadas para se tornar estudiosas de Torah e líderanças nas suas comunidades. A Nishmat recebe mulheres de comunidades Judaicas do mundo inteiro e se especializou como um centro para fortalecer o conhecimento dessas mulheres, bem como o seu comprometimento com a sua identidade Judaica.

Na Nishmat, as mulheres podem receber o título de Yoatzot Halacha, ou seja, elas recebem o treinamento para se tornarem conselheiras em assuntos de Halacha (psak halacha) que envolvem a intersecção entre saúde da mulher e Halacha. Essas mulheres contribuem para o aumento da observância religiosa das outras mulheres da comunidade Ortodoxa onde elas atuam. Atualmente, não existem mulheres com títulos de Yoatzot Halacha na comunidade Ortodoxa do Brasil.

 

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Imagem II. Rosh Beit Midrash Esti Rosenberg. Fonte: Migdal Oz < http://skamigdaloz.org/English/aleph.asp?cat=3595&gt;.

 

A Rosh Beit Midrash Estive Rosenberg é filha do Rabino Dr. Aharon Lichtenstein e da Rebbetzin Dr. Tovah Lichtenstein (esta, por sua vez, é filha do Rabino Dov Soloveitchik).

O Rabino Dr. Aharon Lichtenstein é outra figura famosa e respeitada na comunidade Judaica Ortodoxa. Ele recebeu sua smikhah (ordenação rabínica) pela Yeshiva University, estudou sob a tutela do Rabino Joseph Soloveitchik, e recebeu seu PhD em Literatura Inglesa pela Universidade de Harvard. Ele fez aliyah (imigrou para Israel) para fazer parte da Yeshivat Har Etzion, em Gush Etzion, uma instituição da comunidade sionista religiosa de Israel, e educou uma geração de Rabinos Ortodoxos israelenses e Americanos. Existem duas curiosidades à respeito da literatura produzida por ele: a primeira, ele escreveu excelentes livros sobre humanismo e Halacha; e a segunda, ele apoiava educação religiosa de alto nível para mulheres (ZUCKIER, 2017). Após o seu falecimento, em 2015, ele recebeu elogios tanto do Rabino Rick Jacobs, então Presidente da Union for Reform Judaism, quanto do Rabino Avi Shafran, membro da Agudath Israel of America.

 

(…) That means, of course, that there exists an obligation for a girl to study the halakhot of niddah and taharat ha-mishpahah, and also kashrut and Shabbat because these impinge on her daily life. What is intended is that we need to ensure, minimally, that the depth of intensity, knowledge, and sensitivity which are needed in order to assure commitment, even if we are not interested for the moment (if that be the case) in the knowledge per se, but instrumentally, as molding a woman in becoming an ovedet Hashem, a keli in serving the Ribbono Shel Olam, that certainly needs to be studied. And, of course, within the modern context, that applies to areas of Torah that are far, far remote from the level of practical implementation. It is entirely conceivable, that in order to assure that a girl should be genuinely a ma’amina and an ovedet Hashem and to be shomeret Shabbat, ke-dat ve-ka-din, you need to be able to address yourself to a question that she may have about the world of korbanot. Moreover, today there is not only greater need, there is also greater opportunity. Greater readiness, communally speaking, to engage women seriously, intellectually in general terms and with regard to Torah particularly. We have been zokheh in this generation, in Eretz Yisrael and here as well, to see the spread of serious and intensive Torah study at levels which by and large were not prevalent only a generation or two ago. That is an opportunity which certainly we want our daughters to take seriously out of the conviction that, quite apart from assuring the fundamental shemirat ha-mitzvot and yirat Shamayim, even with that assured, out of the conviction that deepening their involvement in talmud Torah, that that is going to enrich and enhance them as religious personalities, as ovdei Hashem (LICHTENSTEIN, 1996, on-line).

 

O Rabino Linchenstein, o Rabino Hirsch e o Rabino Dov Soloveitchik, podem ser considerados exemplos da qualidade, atualidade, coragem moral, honestidade intelectual, e erudição que a comunidade Ortodoxa pode oferecer aos Judeus do mundo inteiro. Cada um desses rabinos, ao seu modo, tinham a coragem moral de expressar sua erudição, opiniões, e valores abertamente, e tinham a honestidade intelectual de compreender que a Halacha, enquanto framework legal no qual uma civilização se baseia, precisa ser capaz de responder os dilemas contemporâneos sem se implodir. Essas características merecem ser valorizadas, pois são raras e necessárias a qualquer um que deseje perseguir uma carreira no Rabinato, bem como são a base sobre a qual surgem instituições como a Midreshet Lindebaum, a Migdal Oz, e a Nishmat.

Em 1997, Estie Rosenberg criou o Migdal Oz Beit Midrash e, desde então, serve como Rosh Beit Midrash desta instituição. Antes de assumir a liderança da Migdal Oz, ela serviu como Rosh Beit Midrash do programa israelense da Midreshet Lindenbaum. A Sra. Rosenberg possui Bacharelado em Literatura Hebraica pela Hebrew University, é graduada em Tanach Studies pela Michlalah Jerusalem e é membro ativo do conselho Bnei Akiva.

O principal programa de estudos oferecido pela escola liderada pela Sra. Rosenberg é o Advanced Scholars Program in Talmud & Halacha (Tochnit Mitkademet be’Gemara u’be’Halacha). Segundo a Rosh Beit Midrash da Migdal Oz, são selecionadas para este programa de estudos as melhores – e as mais brilhantes – mulheres e estas tornaram verdadeiras talmidot chachamot (Yeshivar Har Etzion, 2012).

Em 2012, a Sra. Rosenberg escreveu um artigo, disponível na biblioteca online da Yeshiva University, intitulado “The World of Women’s Torah Learning: Developments, Directions, and Objectives“, no qual ela destaca:

 

Let me conclude with a brief survey that I conducted “in the field in anticipation of what I am saying here. I asked two instructors who teach in the beit midrash in Migdal Oz whether the midrashot have had any effect on the yeshivot. The first instructor teaches Ḥasidut in the beit midrash and is primarily occupied with hasidic thought: “Certainly,” he answered, “what kind of question is that? The spiritual discussion has changed in the yeshivot, the depth, the way that I teach, the questions that my wife raises while I prepare my class, the midrashot have surely greatly affected the yeshivot and what is taught in them.” Taking this answer as a compliment, I turned to the next teacher, an instructor of gemara who is primarily occupied with the debates of Abaye and Rava, but also teaches Jewish thought in the beit midrash. I asked the same question: “How, if at all, have the midrashot influenced the yeshivot?” The teacher looked at me in amazement as if he did not understand the question and immediately replied: “the midrashot influencing the yeshivot? Certainly not! Is it possible for the depth of learning in the midrashot to influence the yeshivot? Do the mechinot influence the yeshivot? The world of the midrashot is far from impacting upon the world of the yeshivot. I  listened to the two answers and pondered about the personality and spiritual gap between these two teachers and the different ways in which they experience and define both the world of the midrashot and that of the yeshivot. I understood that I woul never find a single answer to the question I had posed. As an interesting point to consider, let me add that when I pressed the gemara  instructor and told him what his colleague had said, it was he who said what was cited above, that his teaching of “U-Bikkatshtem Mi-sham” in the yeshiva definitely changed after he taught women precisely the same text. When I meet him again, I will ask him whether his gemara classes in the yeshiva also  changed after teaching the same tractate to the women. I am not sure what his answer would be (ROSENBERG, 2012, p. 27).

 

Eu tenho uma enorme admiração por mulheres Judias como as senhoras Estie Rosenberg e Chana Henkin, pois elas são lideranças que representam os algumas características e valores que são caros para mim: família, erudição, ousadia, yiddishkeit e ahavat yisrael, apesar disso, elas tendem à ser esquecidas, pois não abraçam um radical igualitarismo entre homens e mulheres em aspectos ritualísticos da tradição Judaica ou a reforma Judaica com os caminhos ideais para as mulheres Judias.

Eu imagino que não-Judeus, Judeus liberais e Judeus seculares, ao olharem para a comunidade Ortodoxa mundial, terminem vendo as lideranças haredi (ultra-ortodoxas) ao invés dos rabinos e estudiosas citadas neste contexto.

Por isso, é importante, ao analisar temas como Women Of The Kotel, ou seja, temas que envolvem aspectos religiosos (Halacha e Pensamento Judaico) e seculares (relação sociedade-estado), evitar estereótipos a respeito da comunidade Judaica Ortodoxa. Para evitar esses estereótipos, é essencial mergulhar na riqueza – e diversidade – desta comunidade. Isso requer que o leitor vá além dos gedolim ultra-ortodoxos chassidicos e não-chassidicos.

Este é um dos meios pelos quais podemos evitar o surgimento e o fortalecimento do preconceito entre os diferentes grupos que compõem a comunidade Judaica, bem como apresentar, aos não judeus, a beleza da tradição Judaica.

 


 

SUGESTÕES DE BIBLIOGRÁFIA BÁSICA SOBRE O TEMA

Torah and Western Thought: Intellectual Portraits of Orthodoxy and Modernity

Editado por Stuart W. Halpern, Meir Y.Soloveichik, Shlomo Zuckier et al.

The Jewish Enlightenment

Escrito por Smuel Feiner

Modern Orthodox Judaism: Studies and Perspectives

Escrito pelo Rabino Dr. Menachem-Martin Gordon

Jewish Law as Rebellion: A Plea for Religious Authenticity and Halachic Courage

Escrito pelo Rabino Dr. Nathan Lopes Cardozo

Books of the People: Revisinting Classic Works of Jewish Thought

Escrito pelo Straus Center for Torah and Western Thought

The Ninetten Letters of Ben Uziel

Escrito pelo Rabino Hirsch

Halakha: The Rabbinic Idea of Law

Escrito por Chaim N. Saiman

Religious Zionism, Jewish Law, and the Morality of War: How Five Rabbis Confronted One of Modern Judaism’s Great Challenges

Editado por Robert Eisen

City on a Hilltop: American Jews and the Israeli Settler Movement

Escrito por Sara Yael Hirschhorn

 


 

 

VÍDEO AULAS SOBRE O TEMA ABORDADO NO TEXTO

 

Lectures in Jewish History and Thought by Rabbi Henry Abramson

Disponível em: <https://www.youtube.com/user/hillelabramson>.

Modern Orthodox Education in 21st Century Israel & America

Yeshiva University

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=9VhL6AYPRt4>.

The Complexity of Rabbi Joseph Soloveitchik and The Problem of Fundamentalism

Lecture on Jewish Philosophy

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=86vvnPFgCRU>.

Rabbanit Chana Henkin – The Importance of Taking Time for Torah – Nishmat

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=SCclrw7VNuQ>.

Rabbi Dr. Meir Soloveitchik on Rav Ahron & Joseph Soloveitchik

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aiUQlmr8v-0>.

Jewish Education: Continuity for Creativity – Tamar Ross

The Melton Centre for Jewish Education

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=MJ42DdbXuUY>.

What is the future of Modern Orthodoxy? Ohr Torah Stone

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=qpGKAFyd85o>.

 


BIBLIOGRAFIA

 

  • Artigos de revistas

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LEVY, Max. From Torah im Derekh Eretz to Torah U-Madda: the Legacy of Samson Raphael Hirsch. Penn History Review. Volme 20, Issue 1, Spring 2013, Artigo 4. p 1-23.

SHAPIRO, Marc B. Review: The Brisker Method Reconsidered. Tradition: A Journal of Orthodox Jewish Thought, Vol. 31, No 3 (Spring 1997), p 78-102.

SPERO, Shubert. Towards a Philosophy of Modern Orthodoxy. Modern Judaism. Vol 6, N1, Fevereiro 1986, pp. 79-90.

SAMET, Moshe. The Beginnings of Orthodoxy. Modern Judaism. Vol 8, N 3, Outubro de 1988, p 249-269.

ROSENBERG, Esti. The World of Women’s Torah Learning: Developments, Directions, and Objectives. Yeshiva University. 26 de Junho de 2012. p. 1-28.

  • Vídeos

CARDOZO, Nathan Lopes. Dangerous and Unacceptable Rabbinical Decisions, Immoral Religious Acts, the Need for Ethical Halacha and the Controversial Limmud Conference. Leadelnet. 15 de fevereiro de 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7GAUE5mrwuE>. Acesso em 30 de dezembro de 2018.

RISKIN, Shlomo & BRANDER, Kenneth. What is the future of modern orthodoxy? Ohr Torah Stone. 17 de junho de 2018. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=qpGKAFyd85o>. Acesso em 30 de dezembro de 2018.

SOLOVEITCHIK, Meir. Rabbi Dr. Meir Soloveitchik on Rav Aharon & Rav Joseph B Soloveitchik. Maggid Books and The Straus Center for Torah and Western Thought of Yeshiva University. 28 de novembro de 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aiUQlmr8v-0>. Acesso em 30 de dezembro de 2018.

  • Artigos eletrônicos

BELTRAN, Noam. Torah Umadda – Let’s Define Torah First. YU Commentator. 11 de novembro de 2018. Disponível em: <https://yucommentator.org/2018/11/torah-umadda-lets-define-torah-first/&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

WUDL, Henry Aharon. On Republishing the Works of Sephardic Scholars. HaSephardi. 25 de março de 2018. Disponível em: <https://hasepharadi.com/2018/03/25/on-republishing-the-works-of-sephardic-scholars/&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

ACKERMAN, Ari. Rabbi Joseph Dov Soloveitchik. 1 de março de 2009. Jewish Women’s Archive. Disponível em: <https://jwa.org/encyclopedia/article/soloveitchik-rabbi-joseph-dov&gt;. Acessso em 28 de dezembro de 2018.

BERMAN, Saul. Forty Years Later: The Rav’s Opening Shiur at the Stern College for Women Beit Midrash. 9 de outubro de 2017. The Lehrhaus. Disponível em: <https://www.thelehrhaus.com/commentary/forty-years-later-the-rav%E2%80%99s-opening-shiur-at-the-stern-college-for-women-beit-midrash/&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

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JewishMom. Rabbanit Chana Henkin Chosen to Light Torch to Kick off Israeli Independence Day. Jewish Mom. Disponível em: <http://jewishmom.com/2017/05/02/rabbanit-chana-henkin-chosen-to-light-torch-to-kick-off-israeli-independence-day/&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

HENKIN, Chana. The Origin Of Yoatzot Halacha – Women Advising Women. Jewish Press. Disponível em: <http://www.jewishpress.com/indepth/the-origin-of-yoatzot-halacha-women-advising-women/2017/12/28/&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2018.

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